"Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento."


Clarice Lispector, Sobre a escrita...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Alunos em recuperação final: Escola Senador Novaes Filho

2º ANO A

ESTUDANTE
CONTEÚDO AVALIAÇÃO FINAL
ALISSON RODRIGO VIANA DA SILVA
DATA: 15/12/2016 (QUINTA-FEIRA)

  • ADJETIVO
  • VERBO
  • CONJUNÇÃO
  • ROMANTISMO
  • TESE / ARGUMENTO
BIANCA OLIVEIRA ARAUJO REGO
Breno Nascimento de Andrade
CRISTIANE ALVES CAMELO
DENILSON MONTEIRO DINIZ DA SILVA
GIVANILDO LUCAS DOS SANTOS
JENERSON FERREIRA DA SILVA
JOÃO VICTOR DO NASCIMENTO REIS
LUCAS MARQUES DO NASCIMENTO
MARIA DO CARMO MELO DOS SANTOS
MARLON WILLAM SILVA NEVES
MAYHARA LEMOS SANTIAGO
WANESSA GRAZIELE BEZERRA DA SILVA


2º ANO B


ESTUDANTE
CONTEÚDO AVALIAÇÃO FINAL
ALLAN BERNARDO DA SILVA
DATA: 15/12/2016 (QUINTA-FEIRA)

  • ADJETIVO
  • VERBO
  • CONJUNÇÃO
  • ROMANTISMO
  • TESE / ARGUMENTO
ANA MARIA NASCIMENTO DOS SANTOS
ELTON FIRMINO DOS SANTOS
GABRIEL VINICIUS DA SILVA PAULO
MARIA CAROLINE DA SILVA
MARIA DA GLORIA LINO DA SILVA
MATEUS ALVES DA SILVA
QUEILA MICHELE ANDRADE DA SILVA


2º ANO C


ESTUDANTE
CONTEÚDOS AVALIAÇÃO FINAL
BRENO GABRIEL SOUZA DA SILVA RODRIGUES
DATA: 15/12/2016 (QUINTA-FEIRA)

  • ADJETIVO
  • VERBO
  • CONJUNÇÃO
  • ROMANTISMO
  • TESE / ARGUMENTO
INGRID CARINE DA SILVA DO NASCIMENTO
MARIA CAROLINA PINTO AGRA
JESSICA SILVA DE ANDRADE
MIGUEL GUIMARÃES FERREIRA DA SILVA
LUIZ HENRIQUE CAVALCANTI RAMOS DA SILVA
LUIZ EDUARDO FÉLIX DINIZ
KELVIN GALDINO FRAZÃO

3º ANO A

ESTUDANTE
CONTEÚDO AVALIAÇÃO FINAL
LUCAS VENICIUS SOUZA DA SILVA
DATA: 15/12/2016 (QUINTA-FEIRA)

  • ORAÇÕES COORDENADAS
  • ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
  • ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
  • PONTUAÇÃO
  • 2ª FASE DO MODERNISMO (GERAÇÃO DE 30)

RAFAEL KLEYTON DA SILVA SOARES
RAFAELLA CATARINE ARRUDA DA SILVA


3º ANO B


ESTUDANTE
CONTEÚDO AVALIAÇÃO FINAL
ANA LUCLÉCIA DA SILVA LEITE
DATA: 15/12/2016 (QUINTA-FEIRA)

  • ORAÇÕES COORDENADAS
  • ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
  • ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
  • PONTUAÇÃO
  • 2ª FASE DO MODERNISMO (GERAÇÃO DE 30)


* OS ALUNOS MARCADOS PODEM ESTAR APROVADOS APÓS A ATIVIDADE DA 4ª UNIDADE.
EMERSON HENRIQUE DA SILVA FONSECA
GABRIEL GUIMARAES FERREIRA
JANIO FRANCISCO DE BARROS
JOANA PAULA SILVA DE OLIVEIRA
MANOELA MARIA VITOR DE OLIVEIRA
MAYARA CONCEIÇÃO DA SILVA CUNHA*
MAYRA KELLY ALVES MOTA
NAIARA CARLA GOMES CLEMENTE DE ARAUJO
NATALY MIRELA COSTA DA SILVA*
PALOMA LOPES DA SILVA LIMA*
RAUL MARCELO DO NASCIMENTO REIS
THALYSON CLEMENTE CAVALCANTE*


FILMES PARA REFLETIR






segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Atividade Avaliativa 2º ano: filme



FICHA TÉCNICA

NOME: Igual

DIREÇÃO: Hugo Martinelli e Rubens Abrão

ELENCO: Beto Gonsalvo (homem igual) e Emanuel Miguel Max (morador de rua)

PRÊMIOS: Melhor curta metragem estrangeiro I Festival Tirant de Móbil

domingo, 4 de dezembro de 2016

Atividade 3º ano: Um autor em vários focos: Carlos Drummond de Andrade

Atividade de Língua Portuguesa
Prof. Saulo BatistaVendo um autor em vários focosCarlos Drummond de Andrade - 1


A bomba

A bomba
é uma flor de pânico apavorando os floricultores
A bomba
é o produto quintessente de um laboratório falido
A bomba
é estúpida é ferotriste é cheia de rocamboles
A bomba
é grotesca de tão metuenda e coça a perna
A bomba
dorme no domingo até que os morcegos esvoacem
A bomba
não tem preço não tem lugar não tem domicílio
A bomba
amanhã promete ser melhorzinha mas esquece
A bomba
não está no fundo do cofre, está principalmente onde não está
A bomba
mente e sorri sem dente
A bomba
vai a todas as conferências e senta-se de todos os lados
A bomba
é redonda que nem mesa redonda, e quadrada
A bomba
tem horas que sente falta de outra para cruzar
A bomba
multiplica-se em ações ao portador e portadores sem ação
A bomba
chora nas noites de chuva, enrodilha-se nas chaminés
A bomba
faz week-end na Semana Santa
A bomba
tem 50 megatons de algidez por 85 de ignomínia
A bomba
industrializou as térmites convertendo-as em balísticos
interplanetários
A bomba
sofre de hérnia estranguladora, de amnésia, de mononucleose,
de verborréia
A bomba
não é séria, é conspicuamente tediosa
A bomba
envenena as crianças antes que comece a nascer
A bomba
continua a envenená-las no curso da vida
A bomba
respeita os poderes espirituais, os temporais e os tais
A bomba
pula de um lado para outro gritando: eu sou a bomba
A bomba
é um cisco no olho da vida, e não sai
A bomba
é uma inflamação no ventre da primavera
A bomba
tem a seu serviço música estereofônica e mil valetes de ouro,
cobalto e ferro além da comparsaria
A bomba
tem supermercado circo biblioteca esquadrilha de mísseis, etc.
A bomba
não admite que ninguém acorde sem motivo grave
A bomba
quer é manter acordados nervosos e sãos, atletas e paralíticos
A bomba
mata só de pensarem que vem aí para matar
A bomba
dobra todas as línguas à sua turva sintaxe
A bomba
saboreia a morte com marshmallow
A bomba
arrota impostura e prosopéia política
A bomba
cria leopardos no quintal, eventualmente no living
A bomba
é podre
A bomba
gostaria de ter remorso para justificar-se mas isso lhe é vedado
A bomba
pediu ao Diabo que a batizasse e a Deus que lhe validasse o batismo
A bomba
declare-se balança de justiça arca de amor arcanjo de fraternidade
A bomba
tem um clube fechadíssimo
A bomba
pondera com olho neocrítico o Prêmio Nobel
A bomba
é russamenricanenglish mas agradam-lhe eflúvios de Paris
A bomba
oferece de bandeja de urânio puro, a título de bonificação, átomos
de paz
A bomba
não terá trabalho com as artes visuais, concretas ou tachistas
A bomba
desenha sinais de trânsito ultreletrônicos para proteger
velhos e criancinhas
A bomba
não admite que ninguém se dê ao luxo de morrer de câncer
A bomba
é câncer
A bomba
vai à Lua, assovia e volta
A bomba
reduz neutros e neutrinos, e abana-se com o leque da reação
em cadeia
A bomba
está abusando da glória de ser bomba
A bomba
não sabe quando, onde e porque vai explodir, mas preliba
o instante inefável
A bomba
fede
A bomba
é vigiada por sentinelas pávidas em torreões de cartolina
A bomba
com ser uma besta confusa dá tempo ao homem para que se salve
A bomba
não destruirá a vida
O homem
(tenho esperança) liquidará a bomba.

Atividade de Língua Portuguesa
Prof. Saulo BatistaVendo um autor em vários focosCarlos Drummond de Andrade - 2


José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?


Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?


E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?


Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?


Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!


Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Atividade de Língua Portuguesa
Prof. Saulo BatistaVendo um autor em vários focosCarlos Drummond de Andrade - 3


Hino nacional

Precisamos descobrir o Brasil!
Escondido atrás as florestas,
com a água dos rios no meio,
o Brasil está dormindo, coitado.
Precisamos colonizar o Brasil.


O que faremos importando francesas
muito louras, de pele macia,
alemãs gordas, russas nostálgicas para
garçonetes dos restaurantes noturnos.
E virão sírias fidelíssimas.
Não convém desprezar as japonesas...


Precisamos educar o Brasil.
Compraremos professores e livros,
assimilaremos finas culturas,
abriremos dancings e subvencionaremos as elites.


Cada brasileiro terá sua casa
com fogão e aquecedor elétricos, piscina,
salão para conferências científicas.
E cuidaremos do Estado Técnico.


Precisamos louvar o Brasil.
Não é só um país sem igual.
Nossas revoluções são bem maiores
do que quaisquer outras; nossos erros também.
E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões...
os Amazonas inenarráveis... os incríveis João-Pessoas...


Precisamos adorar o Brasil!
Se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens,
por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão
de seus sofrimentos.


Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?

Atividade de Língua Portuguesa
Prof. Saulo BatistaVendo um autor em vários focosCarlos Drummond de Andrade - 4


Salário

Ó que lance extraordinário:
aumentou o meu salário
e o custo de vida, vário,
muito acima do ordinário,
por milagre monetário
deu um salto planetário.
Não entendo o noticiário.
Sou um simples operário,
escravo de ponto e horário,
sou caxias voluntário
de rendimento precário,
nível de vida sumário,
para não dizer primário,
e cerzido vestuário.
Não sou nada perdulário,
muito menos salafrário,
é limpo meu prontuário,
jamais avancei no Erário,
não festejo aniversário
e em meu sufoco diário
de emudecido canário,
navegante solitário,
sob o peso tributário,
me falta vocabulário
para um triste comentário.
Mas que lance extraordinário:
com o aumento de salário,
aumentou o meu calvário!

Atividade de Língua Portuguesa
Prof. Saulo BatistaVendo um autor em vários focosCarlos Drummond de Andrade - 5


EU ETIQUETA
Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permanência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.


Atividade de Língua Portuguesa
Prof. Saulo BatistaVendo um autor em vários focosCarlos Drummond de Andrade - 6


A Flor e a Náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.

Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam pra casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.


Atividade de Língua Portuguesa
Prof. Saulo BatistaVendo um autor em vários focosCarlos Drummond de Andrade - 7




A bruxa
A Emil Farchat


Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto,
estou sozinho na América.
Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida ao meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.
De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto...
Precisava de um amigo,
desses calados, distantes,
que lêem verso de Horácio
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
e a essa hora tardia
como procurar amigo?
E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
que entrasse neste minuto,
recebesse este carinho,
salvasse do aniquilamento
um minuto e um carinho loucos
que tenho para oferecer.
Em dois milhões de habitantes,
quantas mulheres prováveis
interrogam-se no espelho
medindo o tempo perdido
até que venha a manhã
trazer leite, jornal e clama.
Porém a essa hora vazia
como descobrir mulher?
Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
conheço vozes de bichos,
sei os beijos mais violentos,
viajei, briguei, aprendi.
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras.
Mas se tento comunicar-me
o que há é apenas a noite
e uma espantosa solidão.
Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
querendo romper a noite
não é simplesmente a bruxa.
É antes a confidência
exalando-se de um homem.


Atividade de Língua PortuguesaProf. Saulo BatistaVendo um autor em vários focosCarlos Drummond de Andrade - 8



O homem; as viagens

O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte
ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro
diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto
é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.


Atividade de Língua Portuguesa
Prof. Saulo BatistaVendo um autor em vários focosCarlos Drummond de Andrade - 9


O medo

A Antonio Candido

"Porque há para todos nós um problema sério...Este problema é o do medo."
(Antonio Candido, Plataforma de Uma Geração)
Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.

Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo...
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno,
De nós, de vós: e de tudo.
Estou com medo da honra.

Assim nos criam burgueses,
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto na noite, receio
de águas poluídas. Muletas
do homem só. Ajudai-nos,
lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosa
se parte, se transe e cala-se.

Faremos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.

O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor,
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo.


Atividade de Língua Portuguesa
Prof. Saulo BatistaVendo um autor em vários focosCarlos Drummond de Andrade - 10



Cidade prevista



Irmãos, cantai esse mundo
que não verei, mas virá
um dia, dentro em mil anos,
talvez mais... não tenho pressa.
Um mundo enfim ordenado,
uma pátria sem fronteiras,
sem leis e regulamentos,
uma terra sem bandeiras,
sem igrejas nem quartéis,
sem dor, sem febre, sem ouro,
um jeito só de viver,
mas nesse jeito a variedade,
a multiplicidade toda
que há dentro de cada um.
Uma cidade sem portas,
de casas sem armadilha,
um país de riso e glória
como nunca houve nenhum.
Este país não é meu
nem vosso ainda, poetas.
Mas ele será um dia
o país de todo homem.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Atividade 2° ano

Um gramático contra a gramática

Gilberto Scarton

Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino (L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft traz um conjunto de ideias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.

Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática linguística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".

O velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação linguística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e linguística; o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos linguistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante.

Essa fundamentação linguística de que lança mão - traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional. É, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano; um processos espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.

Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula.


ATIVIDADE (Um gramático contra a gramática)


1 – No primeiro parágrafo, temos uma expressão que traz a finalidade da ideias defendidas por Celso Pedro Luft a cerca do ensino da gramática. Qual seria ela? E Qual a classe gramatical de cada uma?

2 – No terceiro parágrafo, observa-se a conjunção “e” aparecendo com dois sentidos destintos. Retire do texto um fragmento de cada sentido, classificando-os.

3 – No quarto parágrafo, o autor usa a expressão temporal “antes de tudo”, o que mudaria no sentido do texto se essa fosse retirada?

4 – Ainda no quarto parágrafo temos uma expressão comparativa, qual seria ela e o que ela acrescenta ao texto?

5 – Qual palavra, no último parágrafo, nos ajuda a compreender mais facilmente que o autor da resenha tem algumas ressalvas quanto a obra resenhada?


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Música e Dor


BALADA DE GISBERTA(Pedro Abrunhosa)


Perdi-me do nome,
Hoje podes chamar-me de tua,
Dancei em palácios,
Hoje danço na rua.
Vesti-me de sonhos,
Hoje visto as bermas da estrada,
De que serve voltar
Quando se volta para o nada.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
O fim quer me buscar.
Sambei na avenida,
No escuro fui porta-estandarte,
Apagaram-se as luzes,
É o futuro que parte.
Escrevi o desejo,
Corações que já esqueci,
Com sedas matei
E com ferros morri.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
E o fim quer me buscar.
Trouxe pouco,
Levo menos,
A distância até ao fundo é tão pequena,
No fundo, é tão pequena,
A queda.
E o amor é tão longe,
O amor é tão longe
O amor é tão longe
O amor é tão longe...




Saiba mais






Resenha crítica

Resenha Crítica


A resenha crítica é um gênero textual que circula comumente nas esferas jornalística e educacional com o objetivo de analisar um bem cultural (livro, filme, música, show, espetáculo, CD, …), usando para isso a síntese e a argumentação para tal.


Características


  • Linguagem formal
  • Resumo / síntese
  • Argumentação / análise
  • Ponto de vista
  • Cientificidade
  • Brevidade (texto curto)


Estrutura


  • Título
  • Subtítulo: optativo
  • Referências: autor, título da obra, (dependendo do bem cultural outras informações)
  • Introdução: breve resumo do bem cultural e algumas informações sobre o autor e o contexto de produção da obra.
  • Desenvolvimento: aqui se analisa aspectos estruturais, faz-se comparações, interpreta-se elementos. Discute-se o tema da obra e como a obra passa essa mensagem. Além de destaques positivos e/ou negativos feitos pelo bem cultural.
  • Conclusão: sua opinião a respeito da obra e/ou a respeito do tema tratado.


Planejamento da resenha


Antes de começar a escrever a resenha você deve fazer algumas observações em relação ao objeto resenhado. Tente usar o roteiro abaixo para se guiar.

1 – Qual o tema do bem cultural e qual a posição do autor sobre ele?

2 – O que o autor usa na obra para defender seus pontos de vista?

3 – O que você sabe sobre o tema tratado corresponde ao o que o autor traz: onde você concorda, onde você discorda?

4 – Outras obras poderiam ser citadas e comparadas a resenhada?

5 – Você recomendaria a obra?


Exemplos de resenhas


Texto 1


A jornalista Carla Oliveira já assistiu ao filme e comenta a adaptação do livro para o cinema!


Todo livro que você lê tem um impacto diferente na sua vida. Alguns, você lê e, no dia seguinte, está tudo igual. Outros conseguem entrar em você de forma que ficção e realidade tornam-se uma coisa só e os personagens fazem parte de você. Com A Culpa é das Estrelas, do aclamado escritor John Green, é quase impossível não sentir que, após lê-lo, algo está diferente: você.
Como quase todo best seller, A Culpa é das Estrelas foi adaptado para o cinema e o diretor Josh Boone teve o desafio de não decepcionar milhares de fãs em sua direção. No filme, que terá pré-estreia no Brasil é dia 6 de junho, Shailene Woodley foi escalada para personificar Hazel Grace Lancaster, a adolescente diagnosticada com câncer, sem amigos, que é forçada pelos pais a participar de um grupo de apoio, onde ela acaba conhecendo não só um amigo, mas um rapaz que muda completamente sua vida.
Enxergar o mundo de Hazel Grace pela atuação de Shailene é tão emocionante quanto ter a liberdade para imaginar a personagem do jeito que você quiser. Ela o fez de maneira fiel à criação de Green. O mesmo pode ser dito de Ansel Elgort, o charmoso e encantador Augustus Waters. Se a espontaneidade de Augustus do livro conseguiu ganhar seu coração, prepare-se para fortes emoções para quando encontrá-lo encarando a Hazel no grupo de apoio e na cena do jantar em Amsterdã.
Assim como em toda adaptação de uma obra para outra, algumas coisas são perdidas no meio do caminho. Se você leu o livro e está esperando por uma cópia exata do livro, temo dizer que isso não acontecerá. Entre algumas das alterações do livro para o filme citarei duas que não estragarão seu filme: Hazel não tem a amiga da época de colégio e Augustus não menciona aquele amor do passado em nenhum momento. Mas não se preocupe, a essência de Green foi mantida – inclusive a arrogância do autor Peter Van Houten, interpretado por Willem Dafoe.
Do mais, você tem pouco menos de um mês para preparar o estoque de lenços para levar ao cinema. Caso você seja uma pessoa que não gosta de chorar em público ou dividir o choro com um monte de desconhecidos (acredite, você nunca vai derramar lágrimas com tanta gente junto como quando assistir ao filme), aconselho a esperar sair a cópia em DVD. Como Green diz no livro, a dor tem que ser sentida e Boone te fará senti-la intensamente!

Texto: Carla Oliveira/Colaboradora

Texto 2


Um gramático contra a gramática
Gilberto Scarton

Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino (L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft traz um conjunto de ideias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.
Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática linguística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".
O velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação linguística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e linguística; o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos linguistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante.
Essa fundamentação linguística de que lança mão - traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional. É, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano; um processos espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.
Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula.


Texto 3



RESENHA ACADÊMICA

Obra: “CONTO DE ESCOLA”
Data da Publicação: 2002
Ilustrada por: Nelson Cruz
Faz Parte de Um Livro da Narrativa Curta Machadiana – Várias Histórias
Autor: Machado de Assis (1839* - 1908+)
Currículo Acadêmico: Joaquim Maria Machado de Assis: cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista romancista, crítico e ensaísta – pobre vendia doce na porta da escola – aos 16 anos publicou seu primeiro trabalho literário – Maior Autoridade da Língua Portuguesa – A Academia Brasileira de Letras passou a chamar-se “Casa de Machado de Assis”.

O conto narra o primeiro contato de um menino, chamado Pilar, com a corrupção e a delação. Nos levando a pensar não só a partir de onde começa a corrupção, mas também, se ela está presente no simples ato de fazermos algo para alguém.
Com altíssima capacidade de observação psicológica, de uma maneira suave, no entanto profunda, Machado aborda questões morais do nosso cotidiano. Ele nos conta sobre este menino que ao se questionar entre ficar brincando nos campos e morros, decide ir a escola. Dentro da escola se deparando, pela janela, com o contraste entre esta prisão e o papagaio de papel que via, já tinha superado o entrar em sala de aula atrasado sem ser percebido pelo mestre, mas, não escaparia de seu olhar aterrorizante, organizador e colocador de regras.
Raimundo, filho do professor, era de baixa capacidade de aprendizado e eis que neste dia, ao termino do trabalho que entregue ao mestre, Pilar ouve um chamar vindo de Raimundo, notado também por Curvelo. Depois de disfarçar por ter chamado a atenção de outros, Raimundo mostra uma moeda que no esfregar entre os joelhos e pela aparência muito branca, que para Pilar, que só trazia cobre no bolso, lhe chamou muito a atenção.
Sabendo apregoar mentira no mestre, esta situação trazia uma novidade, que o autor nos faz analisar pensar profundamente; Raimundo oferecia a moeda para Pilar em troca de lhe ensinar o trabalho. Inusitado o negócio, mas atraente, fez-se duvidoso em aceitar, e no meio da negociação se percebe que Curvelo observava com olhares cada vez mais maldosos.
Já de posse da moeda, colocou-a na algibeira da calça, e passou num pedaço de papel, ao Raimundo, a parte que cabia a Pilar do negócio.
Foram descobertos e intimados à frente pelo mestre que não hesitou em lhes aplicar o castigo de doze palmatórias para cada um e ainda lançou pela janela a tão cobiçada moeda. Não bastando a dor nas mãos e sem moeda, agora também o ódio que Pilar estava por Curvelo ter havido delatado-os ao professor, ao saírem da escola, Pilar queria acertar as contas com Curvelo que se escondeu.
Em meio a sentimento de vingança e objetividade, nos deparamos com um final atraente revelado pela mente de uma criança. Pois no dia seguinte ao ir para a escola, Pilar sai cedo de casa, queira chegar primeiro e encontrar a moeda, mas no caminho ouve o som do tambor de uma companhia do batalhão de fuzileiros, que ao invés de ir a escola, acaba hipnotizado pelo diabo do tambor que o fez esquecer da moeda e se livrar de todo ressentimento que havia por Raimundo e Curvelo, que o fez pela primeira vez conhecer a corrupção e a delação.


Texto 4



Balada de Gisberta – Maria Bethânia
Por Sônia Cristina

Músicas dizem tudo

Essa música conta a triste história de um transsexual Brasileiro que foi brutalmente assassinado na cidade de Porto, em Portugal no ano de 2006. Gilberto, ou melhor: Gisberta sofreu todo tipo de violência física e verbal por mais de dois dias seguidos nas mãos de um grupo de adolescentes entre 12 a 16 anos de idade.
O Compositor Pedro Abrunhosa, fez essa linda homenagem, a Gilberto ou Gisberta que já brilhou em palcos de tantos carnavais, e não precisa falar muito, a interpretação de Maria Bethânia é ímpar (como sempre), é de tirar o fôlego, e penso: ONDE VAI PARAR TANTA VIOLÊNCIA?. Até quando o "diferente" tem que ser punido com porradas na Escola ou com a própria vida?
 Enquanto isso, continuo sonhando com dias melhores para os nossos filhos, inconformada com a crueldade que assola o mundo e imaginando, como disse Jhonn Lennon: "IMAGINE QUE EXISTA PAZ, E ESSE MUNDO VAI SER UM SÓ"...