Resenha
Crítica
A
resenha crítica é um gênero textual que circula comumente nas
esferas jornalística e educacional com o objetivo de analisar um bem
cultural (livro, filme, música, show, espetáculo, CD, …), usando
para isso a síntese e a argumentação para tal.
Características
Linguagem formal
Resumo / síntese
Argumentação / análise
Ponto de vista
Cientificidade
Brevidade (texto curto)
Estrutura
Desenvolvimento: aqui se
analisa aspectos estruturais, faz-se comparações, interpreta-se
elementos. Discute-se o tema da obra e como a obra passa essa
mensagem. Além de
destaques positivos e/ou negativos feitos pelo bem cultural.
Planejamento
da resenha
Antes de começar a escrever a resenha você deve fazer algumas
observações em relação ao objeto resenhado. Tente usar o roteiro
abaixo para se guiar.
1 – Qual o tema do bem cultural e qual a posição do autor sobre
ele?
2 – O que o autor usa na obra para defender seus pontos de vista?
3 – O que você sabe sobre o tema tratado corresponde ao o que o
autor traz: onde você concorda, onde você discorda?
4 – Outras obras poderiam ser citadas e comparadas a resenhada?
5 – Você recomendaria a obra?
Exemplos de resenhas
Texto 1
A
jornalista Carla Oliveira já assistiu ao filme e comenta a adaptação
do livro para o cinema!
Todo
livro que você lê tem um impacto diferente na sua vida. Alguns,
você lê e, no dia seguinte, está tudo igual. Outros conseguem
entrar em você de forma que ficção e realidade tornam-se uma coisa
só e os personagens fazem parte de você. Com A
Culpa é das Estrelas,
do aclamado escritor John Green, é quase impossível não sentir
que, após lê-lo, algo
está diferente: você.
Como
quase todo best seller, A
Culpa é das Estrelas foi
adaptado para o cinema e o diretor Josh Boone teve o desafio de não
decepcionar milhares de fãs em sua direção. No filme, que
terá pré-estreia no Brasil é dia 6 de junho,
Shailene
Woodley foi
escalada para personificar Hazel
Grace Lancaster,
a adolescente diagnosticada com câncer, sem amigos, que é forçada
pelos pais a participar de um grupo de apoio, onde ela acaba
conhecendo não só um amigo, mas um rapaz que muda completamente sua
vida.
Enxergar
o mundo de Hazel
Grace pela
atuação de Shailene é tão emocionante quanto ter a liberdade para
imaginar a personagem do jeito que você quiser. Ela
o fez de maneira fiel à criação de Green. O mesmo pode ser dito de
Ansel
Elgort,
o charmoso e encantador Augustus
Waters.
Se a espontaneidade de Augustus
do
livro conseguiu ganhar seu coração, prepare-se
para fortes emoções para quando encontrá-lo encarando a Hazel
no
grupo de apoio e
na cena do jantar em Amsterdã.
Assim
como em toda adaptação de uma obra para outra, algumas coisas são
perdidas no meio do caminho. Se você leu o livro e está esperando
por uma cópia exata do livro, temo dizer que isso não acontecerá.
Entre algumas das alterações do livro para o filme citarei duas que
não estragarão seu filme: Hazel
não
tem a amiga da época de colégio e Augustus
não
menciona aquele amor do passado em nenhum momento. Mas não se
preocupe, a essência de Green foi mantida – inclusive a arrogância
do autor Peter
Van Houten,
interpretado por Willem
Dafoe.
Do
mais, você
tem pouco menos de um mês para preparar o estoque de lenços para
levar ao cinema. Caso você seja uma pessoa que não gosta de chorar
em público ou dividir o choro com um monte de desconhecidos
(acredite, você nunca vai derramar lágrimas com tanta gente junto
como quando assistir ao filme), aconselho a esperar sair a cópia em
DVD. Como Green diz no livro, a dor tem que ser sentida e Boone te
fará senti-la intensamente!
Texto:
Carla Oliveira/Colaboradora
Texto 2
Um
gramático contra a gramática
Gilberto
Scarton
Língua
e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino
(L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft traz um
conjunto de ideias
que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por
combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.
Nos
6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate,
intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o
mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua
materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão
gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão
distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever
certo, o esquecimento a que se relega a prática linguística, a
postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas
de português".
O
velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de
espírito lúcido e de larga formação linguística e professor de
longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e
comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática
tradicional e linguística; o relativismo e o absolutismo gramatical;
o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos linguistas, dos
professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do
irrelevante.
Essa
fundamentação linguística de que lança mão - traduzida de forma
simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público
em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se
convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz
ver o ensino gramaticalista tradicional. É, antes de tudo, um fato
natural, imanente ao ser humano; um processos espontâneo,
automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse
poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de
preconceitos e do artificialismo do ensino definitório,
nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para
desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.
Embora
Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja
tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as
mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da
história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente
fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os
leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de
português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se
depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra
a gramática na sala de aula.
Texto 3
RESENHA
ACADÊMICA
Obra:
“CONTO DE ESCOLA”
Data
da Publicação: 2002
Ilustrada
por: Nelson Cruz
Faz
Parte de Um Livro da Narrativa Curta Machadiana – Várias Histórias
Autor:
Machado de Assis (1839* - 1908+)
Currículo
Acadêmico: Joaquim Maria Machado de Assis: cronista, contista,
dramaturgo, jornalista, poeta, novelista romancista, crítico e
ensaísta – pobre vendia doce na porta da escola – aos 16 anos
publicou seu primeiro trabalho literário – Maior Autoridade da
Língua Portuguesa – A Academia Brasileira de Letras passou a
chamar-se “Casa de Machado de Assis”.
O
conto narra o primeiro contato de um menino, chamado Pilar, com a
corrupção e a delação. Nos levando a pensar não só a partir de
onde começa a corrupção, mas também, se ela está presente no
simples ato de fazermos algo para alguém.
Com
altíssima capacidade de observação psicológica, de uma maneira
suave, no entanto profunda, Machado aborda questões morais do nosso
cotidiano. Ele nos conta sobre este menino que ao se questionar entre
ficar brincando nos campos e morros, decide ir a escola. Dentro da
escola se deparando, pela janela, com o contraste entre esta prisão
e o papagaio de papel que via, já tinha superado o entrar em sala de
aula atrasado sem ser percebido pelo mestre, mas, não escaparia de
seu olhar aterrorizante, organizador e colocador de regras.
Raimundo,
filho do professor, era de baixa capacidade de aprendizado e eis que
neste dia, ao termino do trabalho que entregue ao mestre, Pilar ouve
um chamar vindo de Raimundo, notado também por Curvelo. Depois de
disfarçar por ter chamado a atenção de outros, Raimundo mostra uma
moeda que no esfregar entre os joelhos e pela aparência muito
branca, que para Pilar, que só trazia cobre no bolso, lhe chamou
muito a atenção.
Sabendo
apregoar mentira no mestre, esta situação trazia uma novidade, que
o autor nos faz analisar pensar profundamente; Raimundo oferecia a
moeda para Pilar em troca de lhe ensinar o trabalho. Inusitado o
negócio, mas atraente, fez-se duvidoso em aceitar, e no meio da
negociação se percebe que Curvelo observava com olhares cada vez
mais maldosos.
Já
de posse da moeda, colocou-a na algibeira da calça, e passou num
pedaço de papel, ao Raimundo, a parte que cabia a Pilar do negócio.
Foram
descobertos e intimados à frente pelo mestre que não hesitou em
lhes aplicar o castigo de doze palmatórias para cada um e ainda
lançou pela janela a tão cobiçada moeda. Não bastando a dor nas
mãos e sem moeda, agora também o ódio que Pilar estava por Curvelo
ter havido delatado-os ao professor, ao saírem da escola, Pilar
queria acertar as contas com Curvelo que se escondeu.
Em
meio a sentimento de vingança e objetividade, nos deparamos com um
final atraente revelado pela mente de uma criança. Pois no dia
seguinte ao ir para a escola, Pilar sai cedo de casa, queira chegar
primeiro e encontrar a moeda, mas no caminho ouve o som do tambor de
uma companhia do batalhão de fuzileiros, que ao invés de ir a
escola, acaba hipnotizado pelo diabo do tambor que o fez esquecer da
moeda e se livrar de todo ressentimento que havia por Raimundo e
Curvelo, que o fez pela primeira vez conhecer a corrupção e a
delação.
Texto 4
Balada
de Gisberta – Maria Bethânia
Por
Sônia Cristina
Músicas
dizem tudo
Essa
música conta a triste história de um transsexual Brasileiro que foi
brutalmente assassinado na cidade de Porto, em Portugal no ano de
2006. Gilberto, ou melhor: Gisberta sofreu todo tipo de violência
física e verbal por mais de dois dias seguidos nas mãos de um grupo
de adolescentes entre 12 a 16 anos de idade.
O
Compositor Pedro Abrunhosa, fez essa linda homenagem, a Gilberto ou
Gisberta que já brilhou em palcos de tantos carnavais, e não
precisa falar muito, a interpretação de Maria Bethânia é ímpar
(como sempre), é de tirar o fôlego, e penso: ONDE VAI PARAR TANTA
VIOLÊNCIA?. Até quando o "diferente" tem que ser punido
com porradas
na
Escola ou com a própria vida?
Enquanto
isso, continuo sonhando com dias melhores para os nossos filhos,
inconformada com a crueldade que assola o mundo e imaginando, como
disse Jhonn Lennon: "IMAGINE QUE EXISTA PAZ, E ESSE MUNDO VAI
SER UM SÓ"...