"Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento."


Clarice Lispector, Sobre a escrita...

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Atividade 2° ano

Um gramático contra a gramática

Gilberto Scarton

Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino (L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft traz um conjunto de ideias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.

Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática linguística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".

O velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação linguística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e linguística; o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos linguistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante.

Essa fundamentação linguística de que lança mão - traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional. É, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano; um processos espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.

Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula.


ATIVIDADE (Um gramático contra a gramática)


1 – No primeiro parágrafo, temos uma expressão que traz a finalidade da ideias defendidas por Celso Pedro Luft a cerca do ensino da gramática. Qual seria ela? E Qual a classe gramatical de cada uma?

2 – No terceiro parágrafo, observa-se a conjunção “e” aparecendo com dois sentidos destintos. Retire do texto um fragmento de cada sentido, classificando-os.

3 – No quarto parágrafo, o autor usa a expressão temporal “antes de tudo”, o que mudaria no sentido do texto se essa fosse retirada?

4 – Ainda no quarto parágrafo temos uma expressão comparativa, qual seria ela e o que ela acrescenta ao texto?

5 – Qual palavra, no último parágrafo, nos ajuda a compreender mais facilmente que o autor da resenha tem algumas ressalvas quanto a obra resenhada?


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Música e Dor


BALADA DE GISBERTA(Pedro Abrunhosa)


Perdi-me do nome,
Hoje podes chamar-me de tua,
Dancei em palácios,
Hoje danço na rua.
Vesti-me de sonhos,
Hoje visto as bermas da estrada,
De que serve voltar
Quando se volta para o nada.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
O fim quer me buscar.
Sambei na avenida,
No escuro fui porta-estandarte,
Apagaram-se as luzes,
É o futuro que parte.
Escrevi o desejo,
Corações que já esqueci,
Com sedas matei
E com ferros morri.
Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
E o fim quer me buscar.
Trouxe pouco,
Levo menos,
A distância até ao fundo é tão pequena,
No fundo, é tão pequena,
A queda.
E o amor é tão longe,
O amor é tão longe
O amor é tão longe
O amor é tão longe...




Saiba mais






Resenha crítica

Resenha Crítica


A resenha crítica é um gênero textual que circula comumente nas esferas jornalística e educacional com o objetivo de analisar um bem cultural (livro, filme, música, show, espetáculo, CD, …), usando para isso a síntese e a argumentação para tal.


Características


  • Linguagem formal
  • Resumo / síntese
  • Argumentação / análise
  • Ponto de vista
  • Cientificidade
  • Brevidade (texto curto)


Estrutura


  • Título
  • Subtítulo: optativo
  • Referências: autor, título da obra, (dependendo do bem cultural outras informações)
  • Introdução: breve resumo do bem cultural e algumas informações sobre o autor e o contexto de produção da obra.
  • Desenvolvimento: aqui se analisa aspectos estruturais, faz-se comparações, interpreta-se elementos. Discute-se o tema da obra e como a obra passa essa mensagem. Além de destaques positivos e/ou negativos feitos pelo bem cultural.
  • Conclusão: sua opinião a respeito da obra e/ou a respeito do tema tratado.


Planejamento da resenha


Antes de começar a escrever a resenha você deve fazer algumas observações em relação ao objeto resenhado. Tente usar o roteiro abaixo para se guiar.

1 – Qual o tema do bem cultural e qual a posição do autor sobre ele?

2 – O que o autor usa na obra para defender seus pontos de vista?

3 – O que você sabe sobre o tema tratado corresponde ao o que o autor traz: onde você concorda, onde você discorda?

4 – Outras obras poderiam ser citadas e comparadas a resenhada?

5 – Você recomendaria a obra?


Exemplos de resenhas


Texto 1


A jornalista Carla Oliveira já assistiu ao filme e comenta a adaptação do livro para o cinema!


Todo livro que você lê tem um impacto diferente na sua vida. Alguns, você lê e, no dia seguinte, está tudo igual. Outros conseguem entrar em você de forma que ficção e realidade tornam-se uma coisa só e os personagens fazem parte de você. Com A Culpa é das Estrelas, do aclamado escritor John Green, é quase impossível não sentir que, após lê-lo, algo está diferente: você.
Como quase todo best seller, A Culpa é das Estrelas foi adaptado para o cinema e o diretor Josh Boone teve o desafio de não decepcionar milhares de fãs em sua direção. No filme, que terá pré-estreia no Brasil é dia 6 de junho, Shailene Woodley foi escalada para personificar Hazel Grace Lancaster, a adolescente diagnosticada com câncer, sem amigos, que é forçada pelos pais a participar de um grupo de apoio, onde ela acaba conhecendo não só um amigo, mas um rapaz que muda completamente sua vida.
Enxergar o mundo de Hazel Grace pela atuação de Shailene é tão emocionante quanto ter a liberdade para imaginar a personagem do jeito que você quiser. Ela o fez de maneira fiel à criação de Green. O mesmo pode ser dito de Ansel Elgort, o charmoso e encantador Augustus Waters. Se a espontaneidade de Augustus do livro conseguiu ganhar seu coração, prepare-se para fortes emoções para quando encontrá-lo encarando a Hazel no grupo de apoio e na cena do jantar em Amsterdã.
Assim como em toda adaptação de uma obra para outra, algumas coisas são perdidas no meio do caminho. Se você leu o livro e está esperando por uma cópia exata do livro, temo dizer que isso não acontecerá. Entre algumas das alterações do livro para o filme citarei duas que não estragarão seu filme: Hazel não tem a amiga da época de colégio e Augustus não menciona aquele amor do passado em nenhum momento. Mas não se preocupe, a essência de Green foi mantida – inclusive a arrogância do autor Peter Van Houten, interpretado por Willem Dafoe.
Do mais, você tem pouco menos de um mês para preparar o estoque de lenços para levar ao cinema. Caso você seja uma pessoa que não gosta de chorar em público ou dividir o choro com um monte de desconhecidos (acredite, você nunca vai derramar lágrimas com tanta gente junto como quando assistir ao filme), aconselho a esperar sair a cópia em DVD. Como Green diz no livro, a dor tem que ser sentida e Boone te fará senti-la intensamente!

Texto: Carla Oliveira/Colaboradora

Texto 2


Um gramático contra a gramática
Gilberto Scarton

Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino (L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft traz um conjunto de ideias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.
Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática linguística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".
O velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação linguística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e linguística; o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos linguistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante.
Essa fundamentação linguística de que lança mão - traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional. É, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano; um processos espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.
Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula.


Texto 3



RESENHA ACADÊMICA

Obra: “CONTO DE ESCOLA”
Data da Publicação: 2002
Ilustrada por: Nelson Cruz
Faz Parte de Um Livro da Narrativa Curta Machadiana – Várias Histórias
Autor: Machado de Assis (1839* - 1908+)
Currículo Acadêmico: Joaquim Maria Machado de Assis: cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista romancista, crítico e ensaísta – pobre vendia doce na porta da escola – aos 16 anos publicou seu primeiro trabalho literário – Maior Autoridade da Língua Portuguesa – A Academia Brasileira de Letras passou a chamar-se “Casa de Machado de Assis”.

O conto narra o primeiro contato de um menino, chamado Pilar, com a corrupção e a delação. Nos levando a pensar não só a partir de onde começa a corrupção, mas também, se ela está presente no simples ato de fazermos algo para alguém.
Com altíssima capacidade de observação psicológica, de uma maneira suave, no entanto profunda, Machado aborda questões morais do nosso cotidiano. Ele nos conta sobre este menino que ao se questionar entre ficar brincando nos campos e morros, decide ir a escola. Dentro da escola se deparando, pela janela, com o contraste entre esta prisão e o papagaio de papel que via, já tinha superado o entrar em sala de aula atrasado sem ser percebido pelo mestre, mas, não escaparia de seu olhar aterrorizante, organizador e colocador de regras.
Raimundo, filho do professor, era de baixa capacidade de aprendizado e eis que neste dia, ao termino do trabalho que entregue ao mestre, Pilar ouve um chamar vindo de Raimundo, notado também por Curvelo. Depois de disfarçar por ter chamado a atenção de outros, Raimundo mostra uma moeda que no esfregar entre os joelhos e pela aparência muito branca, que para Pilar, que só trazia cobre no bolso, lhe chamou muito a atenção.
Sabendo apregoar mentira no mestre, esta situação trazia uma novidade, que o autor nos faz analisar pensar profundamente; Raimundo oferecia a moeda para Pilar em troca de lhe ensinar o trabalho. Inusitado o negócio, mas atraente, fez-se duvidoso em aceitar, e no meio da negociação se percebe que Curvelo observava com olhares cada vez mais maldosos.
Já de posse da moeda, colocou-a na algibeira da calça, e passou num pedaço de papel, ao Raimundo, a parte que cabia a Pilar do negócio.
Foram descobertos e intimados à frente pelo mestre que não hesitou em lhes aplicar o castigo de doze palmatórias para cada um e ainda lançou pela janela a tão cobiçada moeda. Não bastando a dor nas mãos e sem moeda, agora também o ódio que Pilar estava por Curvelo ter havido delatado-os ao professor, ao saírem da escola, Pilar queria acertar as contas com Curvelo que se escondeu.
Em meio a sentimento de vingança e objetividade, nos deparamos com um final atraente revelado pela mente de uma criança. Pois no dia seguinte ao ir para a escola, Pilar sai cedo de casa, queira chegar primeiro e encontrar a moeda, mas no caminho ouve o som do tambor de uma companhia do batalhão de fuzileiros, que ao invés de ir a escola, acaba hipnotizado pelo diabo do tambor que o fez esquecer da moeda e se livrar de todo ressentimento que havia por Raimundo e Curvelo, que o fez pela primeira vez conhecer a corrupção e a delação.


Texto 4



Balada de Gisberta – Maria Bethânia
Por Sônia Cristina

Músicas dizem tudo

Essa música conta a triste história de um transsexual Brasileiro que foi brutalmente assassinado na cidade de Porto, em Portugal no ano de 2006. Gilberto, ou melhor: Gisberta sofreu todo tipo de violência física e verbal por mais de dois dias seguidos nas mãos de um grupo de adolescentes entre 12 a 16 anos de idade.
O Compositor Pedro Abrunhosa, fez essa linda homenagem, a Gilberto ou Gisberta que já brilhou em palcos de tantos carnavais, e não precisa falar muito, a interpretação de Maria Bethânia é ímpar (como sempre), é de tirar o fôlego, e penso: ONDE VAI PARAR TANTA VIOLÊNCIA?. Até quando o "diferente" tem que ser punido com porradas na Escola ou com a própria vida?
 Enquanto isso, continuo sonhando com dias melhores para os nossos filhos, inconformada com a crueldade que assola o mundo e imaginando, como disse Jhonn Lennon: "IMAGINE QUE EXISTA PAZ, E ESSE MUNDO VAI SER UM SÓ"...